HD no freezer funciona, mas eu não arrisco.

Um dos grandes martírios enfrentados pelos técnicos em informática são os paus em HDs. Dados importantes que deveriam possuir cópias de segurança são armazenados em um disco rígido qualquer, sem backup, contando com a sorte para que sejam preservados eternamente, o que nunca acontece.

Desligamentos utilizando o procedimento “dedoff”, picos de energia, quedas e outras situações indesejadas podem danificar o disco rígido e obrigar seu proprietário a pagar um alto preço caso queira recuperar os dados nele contidos.

Mesmo o método mais aconselhável (e barato) de manter seus dados em segurança seja manter backups atualizados, nem todo mundo adota esse procedimento. Para a sorte destes existem algumas opções para a recuperação de dados que não fazem milagres, mas ajudam a recuperar os dados de um hd danificado, caso o dano não seja tão grave assim. Imagine a situação: sua máquina estava funcionando normalmente. Do nada ela travou e te obrigou a reiniciar, ao fazê-lo, goodbye HD, nem a bios o reconhece. Essa situação é mais comum do que imagina, ainda mais em hardware legado, funcionando aos montes por aí.

Nesse caso, o dano pode ser mecânico ou eletrônico. Caso o problema esteja na placa lógica, troque-a por uma retirada de um HD de mesma marca e modelo. É sempre bom guardar algumas placas lógicas de HD que vão para o lixo por outros motivos que não problemas na placa lógica.

Caso o problema seja mecânico, geralmente detectado por ser possível ouvir o HD estralando, existe um método curioso, porém eficiente de fazê-lo voltar a funcionar por tempo suficiente para que o backup seja feito. Retire o HD da máquina e deixe-o por cerca de 25 min. num freezer. Veja bem: EU DISSE FREEZER, NÃO CONGELADOR! Congelador gera muita umidade e pode danificar o circuito. No freezer, apesar da umidade ainda existir, ela bem é menor. Passado o tempo, conecte o HD na máquina e tente fazê-lo funcionar. Se não der certo, chore. Lembrando que o método do freezer fará o HD voltar a funcionar por pouco tempo, portanto caso o HD ressucite, corra para fazer o backup, pois o HD vai parar de funcionar após pouco tempo.

No caso de danos lógicos, tais como exclusão acidental ou não de uma partição, de um arquivo ou algo do tipo, é mais fácil de se recuperar. Não farei propaganda de nenhum, mas existem vários softwares, alguns até gratuitos, que recuparam arquivos deletados, arquivos contidos em partições que deixaram de existir ou em HDs formatados. Para os descrentes, eu explico como isso é possível.

“Formatar” um HD é o termo errado para aquilo que realmente é feito nele hoje em dia. Formatar era na época em que, ao comprar um HD o mesmo era acompanhado de um disquete com um software fornecido pelo fabricante. Esse software alterava o modo de funcionamento do HD, de forma que pudesse ser utilizado pela máquina.

Desde a época do 486 (talvez até antes, não me lembro) os HDs já vem formatados de fábrica. O que chamamos erroneamente hoje de formatar é, na verdade, a instalação de um sistema de arquivos. Com isso você não altera em nada o funcionamento do HD, ele pode ser utilizado normalmente em qualquer computador e em qualquer sistema operacional. Um HD “formatado” em NTFS (sistema de arquivos padrão do sistema operacional Windows) é normalmente acessado no Linux e no Macintosh. Isso não significa, necessariamente, que seus dados serão acessados em qualquer sistema operacional. O Linux e o Macintosh acessam dados contidos numa partição NTFS pois suportam esse sistema de arquivos. Se um sistema operacional não fornece suporte a um sistema de arquivos, o mesmo não poderá ser utilizado nele. É o que ocorre ao instalar o sistema de arquivos RaiserFS numa partição de um HD e tentar acessar os dados contidos nela em uma máquina com windows. A bios reconhecerá o HD, o Windows reconhecerá o HD, mas dirá que precisa formatar o HD.

Voltando um pouco ao tema original de recuparação de dados:
Quando se particiona um HD você cria uma tabela com informações do tipo: De tal bloco até tal bloco será a partição 1, do blocal tal ao tal, será a partição 2, e assim por diante até o fim das partições. Quando você instala um sistema de arquivos numa partição, é criada uma tabela chamada “tabela de inodes” onde é registrado um link entre o nome do arquivo e seu endereço físico no disco. Quando você apaga um arquivo, ele não é apagado do disco, e sim o seu link na tabela de inodes é removido. O Mesmo vale para a exclusão de uma partição, ou seja, a partição ainda está lá e seus dados também, mas o sistema operacional não tem mais como localiza-la, ou os arquivos nela contidos, pois sua referência, o link na tabela de partições, não existe mais. Os softwares de recuparação ignoram a tabela de partições e a tabela de inodes e vão buscar pelos arquivos diretamente no disco, o que funciona muito bem, embora demore muito mais (e bota muito nisso) já que eles não podem contar com uma tabela de referência. É como se você chegasse a uma cidade pela primeira vez e tivesse que localizar uma casa, sem saber seu endereço e sem ter como perguntar a alguém. Tudo o que você sabe é, estando você numa rua, como começa uma casa e como uma casa termina, em outras palavras você terá que vasculhar todas as ruas da cidade, uma a uma, até encontrar a casa que você quer. Quanto maior a cidade maior o tempo que gastará, quanto mais casas, idem. Se você tiver um HD de 1GB com 5 arquivos o processo será muito mais rápido do que o mesmo processo num hd de 1GB com 1000 arquivos. Imaginem o quanto demorará em um HD de 1TB abarrotado de arquivos… Sugestão? TENHAM BACKUP!

Pense e exista!

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