
Eles começam cedo, é bom começarmos também
Muito se comenta a respeito da inclusão digital, como fazer com que mais e mais pessoas tenham acesso a computadores e a todos os benefícios da internet. Muitos projetos já foram criados para que as pessoas, e especialmente nossas crianças, tenham acesso a computadores e à internet, mas será que isso está sendo feito da maneira correta? Será que os recursos computacionais estão sendo explorados de forma que as pessoas possam tirar o maior proveito possível deles?
Durante um tempo eu prestei serviços para a prefeitura do cidade de São Paulo e nesse período observei a grande quantidade de computadores instalados nas escolas municipais. Em algumas eram instalados mais de 40 máquinas para as crianças utilizarem em aula, todos eles com programas educativos instalados e até uma máquina virtual com linux, para que as crianças tivessem acesso ao software livre. Todos esses softwares tinham uma utilidade específica, eram desenvolvidos por pedagogos e especialistas em educação infantil, porém transformavam os computadores da escola em um complemento para as outras matérias, e não em uma nova matéria.
Haviam softwares para ajudar as crianças a aprender matemática, história, geografia, português, etc, mas a única coisa relativa a informática propriamente dita era a máquina virtual com linux. Será que é somente isso que a informática tem a oferecer para as nossas crianças e seu futuro? Eu particularmente acho que não. Tenho um filho de 4 anos e todos os dias me surpreendo com os saltos que seu desenvolvimento intelectual dá. Crianças em idade escolar tem muito potencial, às vezes menosprezado ou mal mensurado. Se elas tem capacidade para absorver informações sobre um sistema operacional que muito provavelmente não é o mesmo usado por eles em casa, isso se tiverem computador em casa, e que não é o atual padrão de mercado, com certeza elas tem potencial para aprender muito mais sobre computadores do que apenas isso.
Hoje em dia a visita a uma biblioteca só é feita em última necessidade ou para buscar por um assunto muitíssimo específico, já que a maioria dos assuntos tem um ótimo conteúdo na internet. Por que então não ensinar as crianças a utilizar da melhor forma possível as várias ferramentas de busca de conteúdo na internet para que elas possam fazer seus trabalhos escolares? Se elas não tiverem computadores em casa, podem usar os da escola para dar continuidade a essa “disciplina”. Ao invés de trocar os computadores obsoletos por novos, por que não atualizar os velhos? Um upgrade sai mais barato, já que se economiza em gabinetes, fontes monitores, teclados e mouses, e ainda pode ser usado para ensinar as crianças a montar um computador, o que não é uma tarefa tão difícil de se fazer hoje em dia. Os conectores “vitais” não se encaixam se não estiverem em sua posição correta, para os demais, basta usar o manual. O professor lê o manual e “mastiga” seu conteúdo para as crianças poderem compreende-lo e o seguirem. Ganhamos mais uma disciplina.
Ensiná-los a instalar e remover programas, identificar problemas, explorar as principais funções de editores de texto, planilhas, etc. Acabaria por transformar o ensino fundamental em algo que poderia ser classificado como “semi-profissionalizante”, por que não? Os recursos estão aí, os computadores e as crianças também estão, e o que fazer com tudo isso? Atrelar o novo ao velho? Desperdiçar todos os recursos que a informática veio nos trazer usando-na para aprimorar um modelo velho e ultrapassado de ensino? Ainda colhemos os frutos da decadência educacional vivida em nosso País, tão acentuada nas décadas de oitenta e noventa, e não podemos perder a oportunidade de melhorar o ensino passado aos nosso filhos, de fazer diferente dessa vez.
Espalhe essa idéia, os futuros cidadãos digitais estão nas nossas casas neste exato instante, esperando que nós demos a eles as oportunidades necessárias. Corram, ainda há tempo.